Angel's Egg
Ficha técnica:
Gênero: ficção científica, fantasia, mistério
Direção: Mamoru Oshii
Duração: 71 min (1h11)
Ingredientes incluem literatura, opinião, computação, poesia, música. Pode conter traços de política e outros intensificadores de sabor. Alérgenos: contém verdade e sentimentalismo.
Geralmente quando eu faço uma resenha de filme, duas coisas costumam ser verdade: eu escrevo pouco tempo depois de assistir e não vejo nenhuma outra opinião. O primeiro hábito eu tenho porque a motivação sempre é maior quando o filme está fresco na mente: as ideias estão mais claras, as impressões mais vívidas, e eu quase sempre perco o fio da meada quando passo muito tempo para escrever (não só as críticas, mas qualquer coisa de modo geral). A crescente pilha de publicações em rascunho não me deixa mentir. E quanto ao segundo hábito, é a maneira que encontrei de trazer do melhor jeito as minhas primeiras impressões, o que eu pude notar e deixar de notar por conta própria, além de também evitar "copiar" resenhas de outras pessoas. Dito isso, no Pós-créditos de hoje, iremos analisar um filme com uma premissa bem interessante e ambiciosa. Será que ele consegue entregar uma execução à altura? Vamos descobrir.
Faz muito tempo que não escrevo para o blog. Muito mesmo. E eu achando que esse seria o ano em que as postagens mensais engatariam. Outra vez, deixei passatempos para lá, livros que poderia ler, filmes que poderia assistir, textos que poderia (e deveria) ter escrito. Os planos que tinha foram facilmente substituídos por outros que as circunstâncias me impuseram. Na verdade, foram muito poucas as coisas que eu supunha sobre este ano que se tornaram realidade. A minha vida mudou tanto em tão pouco tempo que ainda estou processando o impacto do soco, o rosto começou a ficar dormente só agora. O jeito é esperar que o hematoma não seja muito grande.
Lembro-me de que o último texto teve muito a ver com o tema de identidade, e não me sinto particularmente feliz em informar que pouco progresso aconteceu de lá para cá. Ou, se houve, ainda não consta no sistema. Recentemente comecei a trabalhar em um banco, então as analogias estão calibradas conforme o mundo burocrático de procedimentos administrativos e contratos de entrelinhas intermináveis. Tentarei, porém, manter um grau aceitável de poesia na prosa; não quero que minhas frases fiquem tão inertes quanto os computadores quase inoperantes da minha agência. Eu sou um escritor tão bom quanto minha organização mental me permite ser; por isso mesmo é que já me desculpo de antemão pelas palavras despejadas ao acaso nisso que quero considerar um retorno.
Tem muito tempo que não escrevo uma resenha. Na verdade, tem muito tempo que não escrevo nada de modo geral, nem na literatura nem no blog. Sei que o hiato foi longo, e desde já me desculpo, embora eu não tenha a intenção de explicá-lo aqui e agora. Esta pequena introdução é só para dizer que, por esse motivo, talvez esta crítica não se compare às demais que já fiz, e talvez nem faça justiça ao filme da vez. Mas gostei demais dele para não escrever nada aqui, então sejam bem-vindos a mais uma publicação da série Pós-créditos!
Pare o que está fazendo agora. Esqueça-se dos planos que tinha para hoje à noite, e venha até mim escrever o que sente. Faça a única coisa que realmente sabe fazer, e coloque-se numa vitrine repleta de frases soltas, textos soltos, pedaços desconexos, jamais finalizados. Observe os livros de sua estante, todos com marca-páginas em posições mais ou menos intermediárias, todos eles. Note as folhas de sulfite da gaveta, um amontoado carente de conclusões. Os arquivos pela metade, as ideias nunca polidas, as sentenças sem ponto final. O oceano sem fim de fins inalcançados. Vê um padrão na incompletude de sua vida?