quinta-feira, 30 de maio de 2019

a importância de livros triviais

o mar

Sabe, como escritor, sempre chegam pontos na vida literária quando a gente começa a se questionar um pouco sobre a validade dos nossos esforços e a proporção com a qual eles serão recompensados. Eu, por exemplo, adoro livrarias e bibliotecas. Mas era inevitável pensar na quantidade enorme de livros diferentes naqueles lugares, e no fato de que os que eu viesse a publicar, algum dia, seriam só mais um dentro daquele universo gigante. Sem quase nenhuma relevância para a maioria esmagadora de clientes do estabelecimento.

É mais ou menos como me sinto em relação ao universo em que vivemos. De fato, somos insignificantes comparados a tudo que existe, mas, a meu ver, tem uma diferença essencial nesses dois casos. Nós não nascemos com um propósito específico. Ninguém nasce para algo. No entanto, a beleza de se viver está justamente em se dar um sentido, em tornar sua vida em algo que valha a pena relembrar setenta anos lá na frente. Já os livros são feitos com um propósito intrínseco - serem lidos. Claro que há o objetivo de satisfação pessoal de seus autores e autoras, entretanto, ninguém pode negar que o fim último de uma obra literária é atingir leitores, impactar pessoas, penetrar vidas. Não tem coisa melhor que ver alguém falando como um livro lhe causou mudanças de pensamento e comportamento. Contemplar esse poder é o grande sonho de todo escritor. Meu, inclusive.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Pós-créditos #1 - O Lagosta (The Lobster)

Teaser Trailer

Eu acho que uma das melhores coisas de apreciar obras de arte é poder discuti-las depois com outras pessoas. Do mesmo jeito que fiz com livros, começando com "Eu, Robô" de Isaac Asimov (que você pode ver aqui), decidi fazer o mesmo com filmes. Acho que eles terão maior presença aqui, dado que são bem mais sucintos que as centenas de páginas que compõem as obras literárias. A estrutura será a mesma: a ficha técnica, seguida da sinopse do filme; minha crítica (sem spoilers) e uma breve análise pessoal sobre o conteúdo abordado.

O Lagosta (The Lobster)



Ficha técnica:

Ano: 2015
Gênero: comédia romântica, ficção científica
Direção: Yorgos Lanthimos
Duração: 118 min (1h58)

terça-feira, 26 de março de 2019

Posfácio #1 - "Eu, Robô"

Uma breve introdução

Este texto, juntamente com outros futuros, fará parte de uma pequena série, na qual eu farei críticas de obras literárias que leio. Confesso que decidi fazer isso, em parte, porque é uma maneira eficiente de me motivar a ler frequentemente - coisa que, infelizmente, tenho deixado de fazer há mais de um ano. Ler e escrever estão intrinsecamente relacionados um ao outro, pelo menos em meu estilo de vida, então considerar ler mais livros para que eu possa escrever sobre eles me parece uma ideia muito boa. Portanto, permitam-me explicar como as coisas serão feitas por aqui.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

algo falta,

Foi realmente uma grata conveniência a ideia de esta publicação ter vindo logo após um texto que trata de arte. Os objetivos e temas são bem diferentes, mas muito me agradou essa pequena conexão estabelecida. Aquilo de que falarei hoje é em parte uma discussão, em parte um desabafo. Toda pessoa tem um lado artístico dentro de si, e sempre é muito admirável quando ele se desenvolve e nos dá frutos. Mas a habilidade tem seu preço, e ela traz consigo alguns efeitos colaterais aos quais todos nós, conscientes ou não, somos submetidos. Um contrato invisível e interno dita os direitos e deveres dos artistas. Vale reforçar a noção de que as cláusulas não são concretas, mas sim meramente psicológicas - não que isso as torne mais brandas e suaves. Assim como cada ser humano é único, também o é cada contrato. E a verdade é que eu tenho sofrido com o meu durante os últimos meses e, talvez, até durante o último ano.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Computadores e a crise do verdadeiro artista

Importante: não sou especialista em arte, nem em machine learning. Este texto é apenas uma opinião, com a qual se pode concordar ou da qual se pode discordar. O debate está aberto.


Arte é uma coisa complicada e isso nunca foi novidade para ninguém. Assim como tantos outros conceitos nebulosos, as definições de arte e de seu propósito nunca foram totalmente precisas, ainda que haja incontáveis delas através dos séculos. Isso, é claro, se deve a sua volatilidade e a sua inconstância. A arte como produção é indissociável do fator temporal. Sim, muitas obras transcendem sua época, e essa vida longa lhes confere grande prestígio e sucesso. Não deixam de ser, porém, fruto do presente. Realismo, cubismo, impressionismo, dadaísmo - todos esses são movimentos artísticos distintos inseridos em tempos históricos distintos, cada qual com suas características, sua personalidade e seus artistas. Todos eles têm, entretanto, pelo menos dois aspectos em comum: o materialismo e a humanidade. Telas, paredes, cavernas, muros, esculturas... toda abstração artística sempre possuiu seu receptáculo concreto no mundo real. Além disso, tanto a concepção quanto a manufatura sempre tiveram os humanos como protagonistas. Mas, da segunda metade do século XX até aqui, emergiu um novo movimento, conhecido por arte contemporânea, cujo poder é capaz de abalar esses dois pontos em que toda a arte converge. Será que chegou a hora de inserir uma nota de rodapé na explicação e pôr uma exceção à regra?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Um BLOG... em pleno 2018?

Boas-vindas, novamente


No fim dos anos 10 do segundo milênio de nosso vigente calendário, eu decido criar um blog. Talvez eu tenha chegado "um pouco" atrasado para isso? Afinal, aqueles que usam a internet há certo tempo concordarão que os anos dourados de blogs e fóruns online já passaram. Dez anos atrás, quem sabe até mais, havia um blog em cada esquina virtual. Como lanchonetes do Subway em postos de gasolina, eles estavam por toda parte e constituíam uma considerável massa de compartilhamento de informações - sejam elas notícias, fatos pessoais, opiniões, entre outros tipos. O surgimento e a ascensão de novos meios de compartilhamento podem ter sido fatores determinantes que levaram os blogs a caírem em desuso. Particularmente, creio eu que o YouTube, em 2005, foi um grande divisor de águas. Os vídeos tornaram tudo bem mais dinâmico e, ainda que se possa argumentar que se podia colocar vídeos em postagens nos blogs, definitivamente não é a mesma coisa. Muitos não se dariam ao trabalho de ler este texto que eu agora escrevo, por exemplo, e apenas veriam o conteúdo dentro do vídeo. E é justamente esta condensação que permite uma digestão mais rápida do que se tem a dizer.