terça-feira, 15 de junho de 2021

O fim inacabado de uma vida interminável

 Pare o que está fazendo agora. Esqueça-se dos planos que tinha para hoje à noite, e venha até mim escrever o que sente. Faça a única coisa que realmente sabe fazer, e coloque-se numa vitrine repleta de frases soltas, textos soltos, pedaços desconexos, jamais finalizados. Observe os livros de sua estante, todos com marca-páginas em posições mais ou menos intermediárias, todos eles. Note as folhas de sulfite da gaveta, um amontoado carente de conclusões. Os arquivos pela metade, as ideias nunca polidas, as sentenças sem ponto final. O oceano sem fim de fins inalcançados. Vê um padrão na incompletude de sua vida?

segunda-feira, 31 de maio de 2021

A solidão partilhada de Death Stranding

 Eu escrevi aqui pela última vez há mais ou menos um mês e meio, mas parece que foi há tanto tempo... Muito me aconteceu desde então. Depois de quase quatro anos, voltei a ter episódios de bastante ansiedade, e fazer coisas simples que não me eram nenhum esforço agora pareciam tarefas bem árduas. Pouco consegui fazer de minhas semanas, senti-me tão sozinho quanto há três anos, alguns meses antes de começar este próprio blog. Uma das poucas coisas que ainda me divertia eram os jogos, e eu estava para jogar um que tinha dividido com meu amigo Murilo uns meses atrás. Foi o que fiz. Devo dizer, depois de setenta horas jogadas, que Death Stranding foi um dos melhores jogos que joguei nos últimos tempos, não apenas pelo jogo em si, mas também por ter me servido como maior companhia nessa época de incertezas, medos e solidão por que passo. Justamente por isso, apesar de o jogo ser muito bom em vários aspectos, eu decidi focar nos principais que me cativaram: a narrativa solitária e a ambientação melancólica (mas não tanto assim). Já aviso, como o jogo é de 2019 e eu quero muito falar em detalhes, tem spoiler por toda a parte.

sábado, 17 de abril de 2021

Posfácio #6 — Metodologia de Pesquisa para Ciência da Computação

O livro da vez é um pouco diferente dos que eu costumo resenhar aqui, mas, como o blog também se trata de computação, e como foi uma experiência incomum para mim lê-lo, acho que vale a pena trazê-lo para cá. A propósito, é possível que mais desse gênero façam uma aparição, eu estou numa fase mais "estudantil" de leituras, digamos assim.


Metodologia de Pesquisa para Ciência da Computação




Autor: Raul Sidnei Wazlawick
Ano: 2009
Gênero: Pedagogia

Sinopse:

A presente obra condensa mais de 16 anos de experiência na orientação de trabalhos de graduação, especialização, mestrado e doutorado. O livro apresenta o tema “metodologia da pesquisa” de forma agradável, fundamentada e baseando-se sempre em histórias ilustrativas sobre como fazer e também como não fazer um trabalho terminal de curso de computação. A ênfase principal do livro está na caracterização do trabalho científico em ciência da computação, visto que a experiência do autor em bancas examinadoras e na avaliação de artigos científicos demonstra a dificuldade que muitos alunos de computação têm em compreender e aplicar a metodologia científica a seus trabalhos. [Retirada da página do livro na Amazon]

sábado, 13 de março de 2021

Pós-créditos #4 — Clímax

Parece que o espírito de crítico realmente voltou; além dos livros, agora também os filmes voltam a ser tema de escrita aqui no blog (já faz quase um ano desde a última vez, na qual falei do incrível indie Faults). O hiato se quebrou por um motivo muito simples: assistir a este filme foi uma experiência inesquecível, no sentido mais literal da palavra e não necessariamente com conotações secundárias sobre sua qualidade. Um filme que vi há menos de doze horas e já vim correndo para cá falar sobre ele.


Clímax



Ficha técnica

Ano: 2018
Gênero: Terror, Drama, Musical
Direção: Gaspar Noé
Duração: 97 min (1h37)

Sinopse

Um grupo de jovens dançarinos se reúne em um ginásio escolar vazio e remoto para ensaiar sua coreografia em uma fria noite de inverno. A festa, que perdura a noite toda, logo se transforma em um pesadelo alucinante ao descobrirem que a sangria estava batizada com LSD. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Posfácio #5 — Matadouro-Cinco

 Estive ausente das resenhas literárias por um bom tempo, mas hoje retorno com uma verdadeira bomba (quase literalmente). Há muito o que se dizer hoje, então vamos falar de um dos livros que mais me matou por dentro. É assim mesmo.

Matadouro-Cinco ou A Cruzada das Crianças: Uma Dança Compulsória com a Morte



Autor: Kurt Vonnegut, Jr.
Ano: 1969
Gênero: Ficção científica, ficção histórica, novela de guerra

Sinopse

Eleito pela Modern Library como um dos 100 melhores romances de todos os tempos, Matadouro-Cinco, um clássico americano, é um dos grandes livros antiguerra do mundo. Centrado no infame bombardeio da cidade alemã de Dresden, a odisseia de Billy Pilgrim através de suas viagens no tempo reflete a jornada mítica de nossas próprias vidas fraturadas enquanto buscamos um significado naquilo em que mais tememos. [Traduzido da sinopse da edição em inglês].

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Adeus, 2020. Adeus, Flash.

Talvez você já tenha reparado que, ao abrir seu navegador, uma mensagem recorrente tem aparecido: algo sobre um tal Adobe Flash Player não ser mais suportado após dezembro de 2020. Para muitas pessoas, o fim do serviço pode não significar muita coisa, e é pouco provável que elas percebam a mudança, até porque a transição para outras tecnologias tem sido bem antecipada e gradual — a Adobe havia anunciado a descontinuidade do Flash em 2017, portanto houve bastante tempo para as adaptações adequadas. Porém, para quem está aqui há mais tempo como eu, o Flash representa uma grande, grande parcela do conteúdo de uma internet dos dias de infância e/ou adolescência, uma época anterior aos grandes detentores do tempo dos usuários, antes do Facebook, YouTube, Instagram. O texto de hoje é uma visita ao passado do Adobe Flash Player e também de todos os que cresceram com ele. Nada mais apropriado para uma despedida.